Educação
Escolar de Pessoas com Surdez
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Atendimento Educacional Especializado em Construção
A Educação Escolar de
Pessoas com Surdez tem sido alvo de muitas discussões no decorrer de
aproximadamente dois séculos, onde defensores da gestualidade e oralidade tentaram de alguma forma compreender onde
está o sucesso ou o fracasso escolar dessas pessoas, dando ênfase para uma
língua ou outra, esquecendo no entanto que assim como os ouvintes, as pessoas
com surdez tem seu potencial individual e coletivo desenvolvido e que na
verdade necessitam de ambientes escolares que os estimulem e desafiem seus
processos perceptivos, linguísticos e cognitivos. E é exatamente levando em
consideração essas aspectos que a atual proposta de Educação Especial na
perspectiva inclusiva prevê o bilinguismo como sendo a tendência que
melhor se adequa as necessidades das
pessoas com surdez, visto que o uso das duas línguas no contexto escolar possibilitará
que ela se comunique em sua língua materna (língua de sinais) e ao mesmo tempo
aprenda a língua portuguesa, que é a língua oficial em seu país.
De
acordo com texto Educação Escolar de Pessoas com Surdez, publicado na revista
Inclusão do Ministério da Educação, jan/jul 2010, os autores Damázio e
Josimário de Paulo Ferreira enfatizam que:
Nesse processo de ressignificação da educação
de pessoas com surdez, sob a ótica bilíngüe, percebemos que muitas questões se
colocam, tais como: que a proficiência em duas línguas ainda parece uma ilusão,
pois ainda se pensa na subordinação de uma língua a outra - L1 x L2; há uma
visão educacional priorizando a língua de sinais; prega-se uma hierarquia nos
usos da língua, como se pudesse ser definido a priori; o bilingüismo, muitas
vezes, dá lugar ao bimodalismo; não se leva em conta a abordagem bilíngüe,
considerando as pessoas em seus graus de surdez, a pessoa com implante coclear,
os filhos de pais com surdez, os filhos de pais sem surdez; a formação de
professores bilíngües; os processos de gestualizar, sinalizar, articular,
oralizar,
ler e escrever na aquisição e desenvolvimento das línguas.
No
entanto, é importante frisar que para ocorrer o acesso as duas línguas de forma
simultânea e que os resultados sejam satisfatórios, faz-se necessário uma
transformação na escola, onde as práticas pedagógicas inclusivas possam se
fazer presentes, tornando-se um rotina na escola. Lembrando ainda que, não
basta apenas aprender uma língua, pois a aquisição da língua de sinais não
garantirá uma aprendizagem satisfatória, visto que os ouvintes chegam a escola
com o domínio da linguagem oral e mesmo assim apresentam dificuldades de
aprendizagem.
Assim,
Damazio e Ferreira em seu texto frisam que;
O
ambiente em que a pessoa com surdez está inserida, em especial, o da
escola comum, uma vez que não lhe oferece condições para que se estabeleçam
mediações simbólicas com o meio físico e social, não exercita ou provoca a
capacidade representativa dessas pessoas, conseqüentemente, compromete o
desenvolvimento do pensamento, da linguagem e da produção de sentidos.
E
pensando nesse aspecto a proposta da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva
legitimou a Atendimento Educacional Especializado para pessoas com Surdez tendo
com função organizar e o trabalho complementar ou suplementar, visando à autonomia e à independência social, afetiva,
cognitiva e lingüística dessas pessoas tanto na escola quanto fora dela. Esse atendimento deve
ser pensado em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, onde inicialmente
deve-se levar em consideração o diagnóstico inicial do aluno com surdez, seu
contexto de vida, para que assim o AEE PS possa auxiliar a romper as
dificuldades apresentadas por esse público.
Vale
ressaltar que o AEE para as pessoas com Surdez deverá acontecer em três
momentos didáticos pedagógicos, divididos em; Atendimento Educacional Especializado
de Libras, Atendimento Educacional Especializado em Libras e Atendimento
Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa escrita.
Referência
Bibliográfica
DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação
Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em
Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.