domingo, 13 de julho de 2014

REFLEXÃO SOBRE O TEXTO: “O modelo dos modelos”

O texto "o modelo do modelos" de Italo Calvino traz uma reflexão a respeito dos modelos idealizados por uma sociedade, onde ser diferente ficaria fora do padrão que a sociedade almeja, e por um lado esse desejo vai aos poucos se desfazendo, percebendo que vivenciar os diferentes modelos, permite um crescimento ainda maior. E quando direcionamos essa reflexão para o modelo de escola que existe atualmente, percebemos que o fracasso escolar está aonde ainda se busca trabalhar seguindo um único modelo, uma única prática pedagógica, e principalmente, não aceitando, nem tão pouco considerando as diferenças existentes dentro e fora da escola.
Relacionando a mensagem deixada pela autor desse texto e o Atendimento Educacional Especializado, percebemos que o AEE vem buscando compreender e trabalhar exatamente com aquele aluno que de alguma forma não se enquadra no "modelo" exigido pela escola. Assim, a função do professor de AEE é primeiramente identificar as potencialidades desse aluno, e trabalhar em cima do que ele é capaz, compreendendo a deficiência para criar estratégias de ensino que permita o aluno progredir, estimulando-o, desafiando-o e fazendo as adequações necessárias para que esse aluno possa de fato participar ativamente e dignamente do processo de ensino e aprendizagem, contando com os mesmos direitos e deveres, respeitando assim, as especificações de cada indivíduo.



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Recursos e Estratégias em baixa tecnologia que possa apoiar o aluno com TGD em seu desenvolvimento.
O Transtorno Global do Desenvolvimento passa a chamar-se Transtorno do Espectro Autista(TEA), inserido na categoria diagnóstica dos Transtornos de Neurodesenvolvimento. Os TEA se manifestam através de alterações no desenvolvimento, não apresentando as habilidades esperadas para sua idade. Sendo que, as áreas mais afetadas são as da comunicação, linguagem e interação social.

Geralmente a criança apresenta muito cedo algumas características, dentre elas estão:

·         Dificuldade em interagir com outras crianças e/ou adultos;
·         Preferem brincar sozinhos;
·         Podem apresentar fixação por algum objeto;
·         Aderência excessiva a rotinas;
·         Costumam apresentar estereotipias motoras;
·         Dificuldade ou ausência da linguagem;
·         Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais, entre outras características;

Levando em consideração que nos casos de TEA, existem falhas na interação social, déficits na reciprocidade socioemocional, como também déficits em comportamento comunicativos, faz-se necessário encontrarmos meios que possibilite seu desenvolvimento. A Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA) é um conjunto de recursos e tecnologias que tem como objetivo facilitar a comunicação de pessoas com deficiência, promovendo a inclusão social por meio do qual todas as pessoas com ou sem deficiência podem se comunicar.

EXEMPLOS DE RECURSOS DE BAIXA TECNOLOGIA



PRANCHAS COM SÍMBOLOS PCS




Pranchas de comunicação- As pranchas de comunicação podem ser construídas utilizando objetos ou símbolos, letras, sílabas, etc. Elas devem ser personalizadas e considerar as possibilidades cognitivas, visuais e motoras da pessoa que irá utilizar tal recurso. Podem ser fixadas, soltas e /ou agrupadas, onde o aluno deverá demonstrar seu desejo através de um gesto como apontar ou até mesmo o simples fato de olhar.

AGENDA EM FORMATO VERTICAL


Uma agenda em formato vertical mostra uma sequência de símbolos para a primeira hora da manhã. Cinco atividades estão representadas em símbolos: tomar banho, comer, escovar os dentes, pegar a mochila, ir para a escola de ônibus.

A comunicação  e a linguagem são processos fundamentais para o desenvolvimento do ser humano e pode acontecer de diferentes formas. A postagem demonstra alguns tipos de recursos em baixa tecnologia e de fácil acesso que tem como objetivo proporcionar uma comunicação alternativa e aumentativa.


domingo, 20 de abril de 2014

Surdocegueira e Deficiência Múltipla(DMU)

Surdocegueira e Deficiência Múltipla(DMU)

De acordo com o Fascículo 5, coletânea da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva/MEC, considera que: Quando uma pessoa apresenta perda visual e auditiva ao mesmo tempo é denominado surdocego  independentemente da sua quantidade. A surdocegueira  pode ser congênita ou adquirida, e é considerada como uma deficiência única  que requer métodos de comunicação especiais para que essas pessoas  possam desempenhar as funções da vida cotidiana, pois a perda visual e auditiva limita  o conhecimento do acontece ao redor, causando nessas pessoas sentimentos de angústias, medo, frustração, insegurança e instabilidade emocional.
Já a  Deficiência Múltipla(DMU), conforme descrito no mesmo Fascículo, é caracterizada por apresentar mais de uma deficiência associada, onde as características específicas afetam o funcionamento individual e o relacionamento social, sendo que as deficiências podem acontecer com vários tipos; deficiência intelectual e visual, deficiência visual e autismo, entre outras.
É importante ressaltar que tanto as pessoas com Surdocegueira quanto as com Deficiência Múltipla apresentam dificuldades relacionadas a comunicação. No que se refere a surdocegueira  a comunicação ocorre basicamente  através do uso das mãos, por isso é necessário explorar as potencialidades dos sentidos remanescentes(tato, paladar e olfato). No entanto para atender pessoas com deficiência múltipla e surdocegueira, a escola necessita dar atenção a dois aspectos importantes; a comunicação e o posicionamento. Outro fator relevante está relacionado a organização do ambiente, o uso de estratégias pedagógicas, recursos específicos, criação de rotina diárias, antecipação dos fatos, uso de calendários, entre outros recursos.
Para que o professor realize um trabalho com pessoas com surdocegueira e deficiência múltipla, e obtenha avanços significativos ele precisa compreender os elementos da  comunicação, avaliando as especificidades de cada indivíduo e seu contexto familiar. Nas duas deficiências o trabalho necessita ser voltado para a constante interação com meio, visto que é a maior dificuldade em ambas as deficiências, dependendo do grau de comprometimento.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Texto: Educação Escolar de Pessoas com Surdez

Educação Escolar de Pessoas com Surdez
- Atendimento Educacional Especializado em Construção


A Educação Escolar de Pessoas com Surdez tem sido alvo de muitas discussões no decorrer de aproximadamente dois séculos, onde defensores da gestualidade e oralidade  tentaram de alguma forma compreender onde está o sucesso ou o fracasso escolar dessas pessoas, dando ênfase para uma língua ou outra, esquecendo no entanto que assim como os ouvintes, as pessoas com surdez tem seu potencial individual e coletivo desenvolvido e que na verdade necessitam de ambientes escolares que os estimulem e desafiem seus processos perceptivos, linguísticos e cognitivos. E é exatamente levando em consideração essas aspectos que a atual proposta de Educação Especial na perspectiva inclusiva prevê o bilinguismo como sendo a tendência que melhor  se adequa as necessidades das pessoas com surdez, visto que o uso das duas línguas no contexto escolar possibilitará que ela se comunique em sua língua materna (língua de sinais) e ao mesmo tempo aprenda a língua portuguesa, que é a língua oficial em seu país.
De acordo com texto Educação Escolar de Pessoas com Surdez, publicado na revista Inclusão do Ministério da Educação, jan/jul 2010, os autores Damázio e Josimário de Paulo Ferreira enfatizam que:
Nesse processo de ressignificação da educação de pessoas com surdez, sob a ótica bilíngüe, percebemos que muitas questões se colocam, tais como: que a proficiência em duas línguas ainda parece uma ilusão, pois ainda se pensa na subordinação de uma língua a outra - L1 x L2; há uma visão educacional priorizando a língua de sinais; prega-se uma hierarquia nos usos da língua, como se pudesse ser definido a priori; o bilingüismo, muitas vezes, dá lugar ao bimodalismo; não se leva em conta a abordagem bilíngüe, considerando as pessoas em seus graus de surdez, a pessoa com implante coclear, os filhos de pais com surdez, os filhos de pais sem surdez; a formação de professores bilíngües; os processos de gestualizar, sinalizar, articular, oralizar, ler e escrever na aquisição e desenvolvimento das línguas.
No entanto, é importante frisar que para ocorrer o acesso as duas línguas de forma simultânea e que os resultados sejam satisfatórios, faz-se necessário uma transformação na escola, onde as práticas pedagógicas inclusivas possam se fazer presentes, tornando-se um rotina na escola. Lembrando ainda que, não basta apenas aprender uma língua, pois a aquisição da língua de sinais não garantirá uma aprendizagem satisfatória, visto que os ouvintes chegam a escola com o domínio da linguagem oral e mesmo assim apresentam dificuldades de aprendizagem.
Assim, Damazio e Ferreira em seu texto frisam que;
O  ambiente em que a pessoa com surdez está inserida, em especial, o da escola comum, uma vez que não lhe oferece condições para que se estabeleçam mediações simbólicas com o meio físico e social, não exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas, conseqüentemente, compromete o desenvolvimento do pensamento, da linguagem e da produção de sentidos.
E pensando nesse aspecto a proposta da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva legitimou a Atendimento Educacional Especializado para pessoas com Surdez tendo com função organizar e o trabalho complementar ou suplementar, visando  à autonomia e à independência social, afetiva, cognitiva e lingüística dessas pessoas tanto na  escola quanto fora dela. Esse atendimento deve ser pensado em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, onde inicialmente deve-se levar em consideração o diagnóstico inicial do aluno com surdez, seu contexto de vida, para que assim o AEE PS possa auxiliar a romper as dificuldades apresentadas por esse público.
Vale ressaltar que o AEE para as pessoas com Surdez deverá acontecer em três momentos didáticos pedagógicos, divididos em; Atendimento Educacional Especializado de Libras, Atendimento Educacional Especializado em Libras e Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa escrita.

Referência Bibliográfica

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.